A Bahia Etanol, localizada no município de Ibirapuã, no extremo sul da Bahia — região de forte vocação agrícola e importante polo da cultura da cana-de-açúcar —, entrou em recuperação judicial.
No ano passado, o executivo da AMERRA CAPITAL, Rogério Martins, esteve na unidade da BEL e, segundo produtores, garantiu que todos os débitos seriam quitados.
A promessa não foi cumprida.
E fica a pergunta: por que assumir um compromisso dessa magnitude se não havia condições — ou intenção — de cumprir?
Confiando nessa fala, produtores aumentaram a entrega de cana à usina, acreditando que finalmente haveria regularização dos pagamentos. O que veio depois foi o oposto. Sem receber os valores devidos, muitos acabaram ampliando ainda mais sua exposição financeira e o nível de endividamento.
O que era para ser solução virou agravamento do problema.
Dívida como instrumento de pressão
A crise ganha contornos ainda mais preocupantes nas negociações recentes conduzidas pela AMERRA CAPITAL. Segundo produtores, a dívida passou a ser utilizada como moeda de pressão.
Relatos indicam que propostas vêm sendo apresentadas — inclusive com participação de executivos e representantes jurídicos da AMERRA CAPITAL— condicionando qualquer entrada de recursos à assinatura de contratos de fornecimento de longo prazo.
Na prática, o cenário é claro: ou o produtor aceita se vincular novamente à usina, ampliando a entrega de cana, ou continua sem receber o que já é seu por direito.
Isso é negociação — ou chantagem ?
As tratativas, segundo fontes, ocorrem de forma informal, justamente em um momento em que o grupo se encontra em recuperação judicial. Para os produtores, a lógica parece invertida: em vez de pagar o que deve, cria-se uma nova dependência para liberar parte do que já deveria ter sido quitado.
AMERRA CAPITAL sob pressão crescente
Com bilhões investidos no agronegócio brasileiro, a AMERRA CAPITAL ainda não apresentou um plano concreto de aporte ou reestruturação da unidade de Ibirapuã.
A ausência de medidas efetivas chama atenção. Até quando o mercado e os produtores terão que esperar?
Enquanto isso, a postura do fundo — considerada por alguns como omissa e por outros como excessivamente dura nas negociações — só aumenta a tensão no setor e amplia as incertezas sobre o futuro da operação.
Entre especialistas, ganha força a avaliação de que o Judiciário pode não aceitar ser utilizado como instrumento para protelar soluções ou legitimar práticas de pressão sobre produtores, especialmente em um contexto já marcado por desequilíbrio nas relações contratuais.
