O prefeito Marcelo Belitardo, que até pouco tempo governava sob relativa tranquilidade, agora vê seu nome associado a três CPIs abertas simultaneamente pela Câmara.
Não é pouca coisa. É, na prática, um atestado de que algo saiu do roteiro.
A CPI da saúde talvez seja a mais sensível. O contrato com o Instituto Setes virou símbolo de questionamentos mais amplos sobre gestão, transparência e controle. Indícios de irregularidades em processos e movimentações financeiras suspeitas dão o tom da investigação. Nada conclusivo ainda, mas suficientemente incômodo.
Na limpeza urbana, o enredo ganha contornos quase caricatos. Mais de R$ 35 milhões gastos em 2023, com comparações desfavoráveis em relação a outros municípios. É o tipo de número que não passa despercebido.
E então vem a Procuradoria do Município, alvo da terceira CPI. Acusações de abuso de autoridade e perseguição institucional sugerem um ambiente interno menos técnico e mais político do que se esperaria.
O que chama atenção não é apenas o conteúdo das investigações, mas o contexto. A abertura simultânea das três CPIs indica uma mudança clara de postura da Câmara.
Para o prefeito, resta administrar não apenas a cidade, mas também a própria crise. E, nesse caso, não basta limpar ruas — é preciso esclarecer números.
Porque, no fim das contas, governar sem fiscalização é confortável. O problema é quando ela resolve aparecer de uma vez só.
Por Redação.
