El País Brasil

UM POLÍTICO PEDE LICENÇA AO POVO ANTES DE SER CANDIDATO: A CONSULTA DE ULDURICO PINTO SURPREENDE A BAHIA

A política brasileira está acostumada a anúncios.

Anúncios de candidaturas.

Anúncios de alianças.

Anúncios de projetos eleitorais.

Mas uma pergunta feita antes de tudo isso é algo extremamente raro.

Foi exatamente esse caminho que escolheu o ex-deputado constituinte Doutor Uldurico Pinto.

Antes de registrar candidatura, antes de inaugurar comitês, antes de pedir votos e antes mesmo de se declarar oficialmente pré-candidato, ele decidiu fazer algo incomum: consultar a sociedade.

A decisão tem despertado atenção porque rompe uma tradição histórica da política nacional.

Em vez de comunicar uma decisão pronta, Uldurico resolveu compartilhar a própria decisão com a população.

Em vez de dizer “sou candidato”, preferiu perguntar:

“Vocês querem que eu seja candidato?”

O gesto está sendo interpretado por apoiadores como um sinal de respeito à inteligência do eleitor e de confiança no julgamento popular.

A iniciativa ganhou força justamente por sua singularidade.

A consulta não é uma pesquisa eleitoral.

Não é um ato partidário.

Não é uma convenção.

É um convite à participação.

É uma convocação para que o cidadão seja ouvido antes que a engrenagem eleitoral comece a girar.

Num ambiente onde as candidaturas normalmente nascem de reuniões fechadas, articulações partidárias e decisões internas, a proposta de Uldurico desloca o centro da decisão para a sociedade.

Esse aspecto tem provocado comentários em diversos setores políticos da Bahia.

Muitos observadores destacam que o movimento possui um simbolismo poderoso: colocar o eleitor não no fim do processo, mas no início dele.

A repercussão também está relacionada à trajetória do ex-parlamentar.

Integrante da histórica Assembleia Nacional Constituinte, deputado federal por três mandatos e participante de importantes debates nacionais, Uldurico pertence a uma geração de líderes que ajudou a consolidar a democracia brasileira.

Entre os constituintes baianos de 1988, poucos permanecem ativos na vida pública. Sua presença no cenário político atual é vista por admiradores como uma combinação de experiência, memória institucional e capacidade de articulação.

Mas o que mais chama atenção neste momento não é seu currículo.

Não é sua história.

Não é sequer sua eventual candidatura.

O que chama atenção é o método.

A ideia de consultar antes de disputar.

Ouvir antes de anunciar.

Perguntar antes de afirmar.

Em tempos de discursos prontos, a consulta de Uldurico Pinto surge como uma exceção.

E talvez seja justamente essa exceção que esteja despertando tanta curiosidade.

Porque, pela primeira vez em muito tempo, a notícia não é um político pedindo um mandato.

A notícia é um político pedindo autorização para buscar um.

E essa diferença pode transformar uma simples consulta em um dos acontecimentos políticos mais comentados da Bahia rumo às eleições de 2026.

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